Perante o que se tem verificado no domínio dos incêndios florestais, neste mês de Março e inicio de Abril, e um ano e sete meses decorridos sobre aquele texto, vejo-me forçado a voltar ao tema, e não pelas melhores razões.
Não vou afirmar que este mês de Março foi o Março que registou maior número de fogos florestais deste século, como fez na altura o senhor Secretário de Estado, porque este século apenas tem nove anos, mas penso que não erraria muito se dissesse que foi o Março com maior número de eclosões e maior área ardida dos últimos cem anos.
Não vou afirmar que a culpa é do governo, nem tão pouco do “Plano de Intervenção na Prevenção e Combate a Incêndios”, pois seria ser, pelo menos, tão demagógico como o foi o Sr. Secretário de Estado no dia 25 de Agosto de 2007, penso que estamos perante um problema muito sério, e que teremos que unir esforços e enfrentá-lo sem demagogia.
Torna-se pois necessário analisar algumas variáveis que podem condicionar, quer o número de eclosões, quer a área ardida:
Devido às mudanças climáticas, consequência do aquecimento global, alguns estudos científicos apontam para o facto de, nos países mediterrânicos, as condições meteorológicas serem cada vez mais favoráveis à eclosão e propagação de incêndios. Prevêem estes estudos o aumento dos períodos de tempo quente e seco, em épocas do ano em que tal não é habitual, e o aumento generalizado das temperaturas acompanhado da descida da humidade. Tal facto obriga a repensar seriamente toda a política de prevenção e combate aos fogos florestais. Por um lado terá que ser repensada a vigilância, de forma alterara um sistema que centrava a mesma nos meses de Verão por um outro que mantenha um vigilância mais constante ao longo do ano, por forma a acompanhar o período de risco que, de acordo com o que atrás ficou dito, se vai estender a outros períodos do ano. Por outro lado torna-se necessário repensar os meios e o seu estado de prontidão, reforçando-os na previsão de que, combater os incêndios com as condições de temperaturas mais elevadas e menor grau de humidade, se vai tornar cada vez mais difícil, e adequando o estado de prontidão e aluguer de meios à nova realidade das condições meteorológicas, garantindo uma prontidão adequada fora dos tradicionais Junho, Julho e Agosto.
Inverter a política de desertificação e abandono do mundo rural, que tem vindo a ser levada a cabo pelos sucessivos governos, com uma intensificação no actual, com o encerramento de serviços por todo o interior do país, nomeadamente no que toca a serviços do Ministério da agricultura e serviços de apoio básico às populações, como escolas e centros de saúde. Esta política, traduz-se na prática pala eliminação da vigilância informal, que resultava de uma ocupação real do território e pela acumulação de matérias combustíveis pelo estado de abandono a que são votadas as florestas das regiões que vão ficando desertas.
Valorização da biomassa pela sua utilização na produção de energia contribuindo desta forma para a rentabilização da floresta, que evitaria o abandono da mesma, e para a economia nacional, através da redução das importações em energia, e para o ambiente, permitindo obter energia de uma fonte renovável, e contribuindo significativamente para a redução do risco de eclosão de incêndios, com todos os prejuízos económicos e ambientais que acarretam.
Por hoje já me alonguei
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