Carta aberta a... Oposição
Caros amigos opositores ao actual regime camarário
Antes de mais gostaria aqui e agora de confessar a minha preferência política: desde os tempos imediatamente posteriores ao 25A e da minha segunda passagem por Coimbra, talvez por reacção ao chamado gonçalvismo ou por influências de amigos, os meus olhos sempre estiveram virados para a direita e mais concretamente para o antigo CDS onde fiz muitos amigos. Se foi uma opção boa ou má não sei, mas foi a que tomei face aos acontecimentos da altura e à qual me mantive fiel até hoje com a excepção de dois momentos, dos quais já falarei.
Estou-vos a escrever porque sinceramente de há um par de anos para cá se existem, eu não os vejo, e não só eu como muita gente!
É voz corrente que o “terrorismo” só se combate com o “terrorismo”! Nada mais errado. O “terrorismo” combate-se com inteligência. E que faz a oposição em Elvas? Usa os mesmos métodos dos que estão no poder: a violência verbal, a guerrilha constante, o boato, a maledicência, a calúnia, os ataques pessoais, etc.. Ao fim e ao cabo passa-se aqui o que se passa a nível nacional.
Nunca fui político nem tão pouco tenho jeito para tal, no entanto como cidadão posso-me dar ao luxo de analisar os acontecimentos e poder comentá-los! É um direito que me assiste.
Recuemos no tempo.
1-Eleições em que o candidato da oposição foi o meu AMIGO José Kusky . Este meu amigo é do tipo de pessoa boa por natureza. Penso ser daquele tipo de pessoas em que é difícil encontrar-lhe um defeito. Amigo do seu amigo e amigo de todos. Ás vezes amigo até de quem não devia ser. Mas enfim, ele é assim e nada há a fazer. Quando foi escolhido para tal tarefa bastantes vezes conversei com ele sobre o assunto e sempre lhe disse o mesmo: tu está s a ser empurrado para uma luta que ninguém quer travar e quem vai sair magoado vais ser tu. Na minha opinião foi autenticamente atirado às feras e o desastre foi total. Ele sabe que estou a dizer a verdade. Para que conste, continuamos amigos.
2-Eleições em que o candidato da oposição foi o meu AMIGO José Carlos Fonseca. Tudo o que referi atrás em relação ao José Kusky se aplica ao José Carlos. Operações políticas tiradas a papel químico. O desastre foi novamente total. Para que conste continuamos amigos.
E porque é que aconteceram estes desastres? Pelos mesmos motivos que se irão repetir nas próximas eleições! Seja o candidato A ou B a estratégia ir á ser a mesma ou seja a do bota abaixo. Assim não!
Mas será que os aparelhos políticos pensam que o “povo” é tonto? Mas será que os ditos senhores não andam de olhos abertos e vêm o que se passa? Não senhor, bota abaixo! E depois aí vem o fado da desgraçadinha novamente cantado por outras vozes e noutro tom, mas pertencentes à mesma “companhia”.
Falemos claro e sem medos.
Mas será que o actual presidente só tem feito asneiras? Pela conversa da oposição sim, mas aos olhos dos cidadãos não!
Mas será que o actual presidente quer tão mal à sua terra que não a queira ajudar da melhor maneira que sabe e que pode? Para a oposição sim, mas para os cidadãos não!
Tem feito obras polémicas? Sim senhor, mas como é que se podem comparar gostos e opções? Salvo as devidas proporções todos devem conhecer a polémica construção do Templo da Sagrada Família em Barcelona. Pois é, na altura foi um escândalo. Hoje toda a gente a admira. E o Centro Cultural de Belém? Lembram-se como foi? Poderia citar mil exemplos. Todos dizem mal de tudo mas não dizem como se poderia fazer melhor.
Com toda esta minha conversa haverá por aí muita cabecinha a pensar que eu sou mais um dos vendidos ao poder. Nada mais errado. Haja alguém que me aponte algo nesse sentido. Agora que tenho que dizer bem do que para mim foi bem feito é de toda a justiça que o faça. Que se tê feito coisas erradas, para mim, também é uma verdade, mas essas guardo-as para outro destinatário.
E por falar em vendidos, as oposições não deveriam falar tanto pois têm telhados de vidro e os efeitos de algumas “trovoadas” estão bem à vista de todos. E quanto a isto é melhor não falarmos mais.
Disse ao princípio que fui infiel duas vezes ao partido da minha simpatia. Pois bem, foram precisamente nestas duas eleições. Mas que escolha tinha eu? Eram as listas e os programas de acção alternativas credíveis? Não! E o que eu pensei, pensaram milhares de pessoas. Não nos restava mais nenhuma opção senão votar no actual presidente. Sinto-me mal por isso? Não! Estou arrependido? Não! Voltaria a fazer o mesmo? Sim! E nas próximas como vai ser? Bem, se as coisas se mantiverem como até aqui que poderemos nós fazer? Entregar a Câmara a um grupo que faria o mesmo ou pior em acções negativas? Haja o bom senso de escolher as pessoas certas para os lugares certos, honestas e com coragem de fazer "sangue" onde tiver que ser feito e doa a quem doer. Haja o com senso de se fazer um programa credível, objectivo e calendarizado para que todos saibamos para onde vamos. Haja o bom senso de evitar aqueles chavões políticos subjectivos que dão para fazer tudo ou tudo deixar na mesma. Haja o bom senso de escolher pessoas competentes independentemente da sua filiação ou cor partidária. Haja o bom senso de manter as pessoas que são competentes, porque estas serão sempre leais para o seu trabalho independentemente do "patrão" para quem trabalham. E finalmente a promessa solene e pública que jamais haverá lugares para os amigos, para os familiares, etc. Nestas condições têm o meu voto garantido e possivelmente o de muita gente.
Caros amigos a candidatos á alternativa: mudem de estratégia senão desta vez são cilindrados.
Antes de escrever estas linhas já tinha escrito pessoalmente ao Tiago Abreu que teve a amabilidade de me responder e dar razão nalguns dos reparos que lhe fiz e que repeti aqui hoje. Falei também sobre o assunto pessoalmente com o actual dirigente do PSD, de quem sou amigo também.
Como o povo diz, quem me avisa meu amigo é!
Passados que vão quase dois anos, e ao reler o texto, penso que nada mudou desde então. Quem está no poder continua como estava e a oposição continua a malhar nestes no mesmo tom e da mesma forma.
Como podia ser tudo tão diferente se houvesse mais bom senso.
Como referia então na carta, sempre me considerei uma pessoa a quem faltava o jeito e a propensão para ser político. No entanto não é esse facto que me inibe de analisar os acontecimentos com distanciamento e independência e o que verifico é que continua a existir uma fome tremenda pelo poder, como se disso dependesse a felicidade de quem o tem e dos candidatos a tê-lo. Mais, penso que a ânsia pelo poder é como uma droga, a qual tira a lucidez. Nunca se podem esquecer é da felicidade dos outros (leia-se cidadãos).
Julgo que a chamada de atenção que fiz à época era razoável. Agora já é tarde.
Jacinto César
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