“O Governo quer os aposentados de novo nas escolas para auxiliarem nas tarefas não lectivas, como o apoio ao estudo, aos alunos imigrantes, ou nas visitas de estudo”
In DN 3 de Fevereiro de 2009
Ao apresentar esta proposta vem o Governo assumir que há um trabalho não lectivo, no interior das escolas, que tem vindo até agora a ser assegurado pelos docentes que nelas trabalham, naquelas horas da componente não lectiva que nunca são contabilizadas quando se fala no horário de trabalho do professor.
Sabe este governo que, com as novas burocracias introduzidas nas escolas pela famigerado sistema de avaliação, pela elaboração de portefólios e relatórios, fichas e grelhas com que se enchem dossiers, pelas não menos famosas CIF que foram introduzidas na sinalização de alunos para ensino especial ao mesmo tempo que se reduzia o número de professores de apoio, reduziu drasticamente o tempo disponível para que os professores possam realizar esse trabalho não lectivo agora assumido.
Não quer o Governo, por teimosia, voltar a trás nas decisões tomadas que conduziram a esta situação.
Nesta circunstância só teria um caminho a seguir, colocar nas escolas alguns dos milhares de professores que se encontram o desemprego, para desempenharem esta tarefa.
Mas se o objectivo de toda a política educativa tem sido no sentido de reduzir custos, por um lado e de desvalorizar o trabalho do professor por outro, como podia o Governo vir agora contratar novos professores aumentando de novo a despesa e demonstrando que afinal, os professores estavam sobrecarregados de trabalho? Não podia!...
Então, mais uma vez, descobriu a fórmula ideal para resolver o problema e amesquinhar ainda mais o trabalho dos professores.
Apresentando esta proposta o Governo está a dizer por um lado que a importância que dá ao estudo acompanhado e à integração dos imigrantes e a outras actividades não lectivas é tão pequena que não merece um cêntimo de investimento (o dinheiro faz falta para salvar os bancos), por outro que na realidade existe muito trabalho a realizar nas escolas, mas ele é tão insignificante que nem merece ser pago.
António Venâncio
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