Há poucos dias, perante um relatório sobre a política de educação para o primeiro ciclo do ensino básico, encomendado pelo próprio governo a uma empresa privada, pago principescamente com o dinheiro dos contribuintes, realizado sem qualquer investigação com base nos dados fornecidos pelo próprio Ministério da Educação e apresentado abusivamente como tratando-se de um relatório da OCDE, o Primeiro-ministro de Portugal, pondo em evidência a “independência” de um relatório vindo do exterior, embandeirou em arco e teceu o auto elogia das suas políticas e o elogio da sua testa de ferro para o sector.
Perante uma carta rogatória recebida da polícia inglesa, fundamentada em dados de investigação feita pela mesma, e na qual são levantadas suspeitas relativamente ao destino de certas verbas em dinheiro, desaparecidas sem justificação clara da contabilidade da empresa promotora do empreendimento Freeport, que alegadamente serviu para pagar subornos para conseguir ultrapassar “dificuldade de licenciamento”, carta essa que refere como possível implicado o cidadão José Sócrates Pinto de Sousa, enquanto Ministro do Ambiente, o mesmo cidadão, agora Primeiro-ministro, fala de forças ocultas.
Parece-me haver dois pesos e duas medidas no acolhimento de duas informações vindas do exterior.
A não ser que consideremos menos credível, e menos independente, a investigação da polícia inglesa que os dados de um qualquer relatório de uma qualquer empresa privada feito sob e3ncomenta e com os dados fornecidos por quem efectuou a encomenda.
António Venâncio
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