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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Ainda Angola

No meu último escrito referi-me à actual situação de Angola e comparei mesmo com a Angola que conheci.

Houve pelos vistos uma série de mal entendidos e que se traduziram em comentários a manifestarem-se contra o que escrevi. Podia ter respondido individualmente a cada um, mas como o assunto é sério (muito sério mesmo), resolvi voltar ao assunto.

A primeira resposta é para alguém que presumo ser daquele país e que disse “Angola é nossa”. Presumo que queria dizer que é dos angolanos e assim é. Esqueceu-se foi de dizer que é só de alguns angolanos e não de todos, pois a casta dominante enriquece descaradamente à custa de um povo que passa fome e sofre. Não me venham com o argumento que o PIB per capita aumentou 20 % por não colhe. Se qualquer cidadão daquele país tiver para gastar diariamente 1 USD que lhe dá para passar uma fome terrível, e se lhe aumentarem esse rendimento para 2 USD continua a “rapar” fome, mas no entanto o rendimento aumentou 100%. Questões estatísticas como aquela do frango que todos conhecem.

Se o nosso leitor se se referia ao PIB que aumentou 20 %, pergunto eu então como é que ele está a ser distribuído, porque a fome continua e as castas ficam cada vez mais ricas. E foi a propósito deste facto que falei da família Dos Santos, que são donos de metade de Angola e aos poucos também donos de Portugal. A continuarmos assim, não faltará que as situações se invertam e passe o nosso país de ex-colonizador para colonizado e lá teremos que criar o MPLP, ou seja o Movimento de Libertação Popular de Portugal.

Claro está que não é isso que me preocupa. O que me preocupa é a corrupção monumental que há naquele país e nós portugueses de uma forma ou de outra estarmos a colaborar no escândalo.

Até em Vila Boim vieram investir. E que foi que investiu? O marido da princesa de Angola e filha do presidente.

Para concluir, somos um país sem vergonha: primeiro fomos nós a explorar os angolanos, depois foram os russos, depois foram os americanos e agora ajudamos meia dúzia de déspotas angolanos a explorar o próprio povo.  

 

Jacinto César

 


Tasca das amoreiras às 18:07
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8 comentários:
De Anónimo a 19 de Dezembro de 2008 às 19:01
Alguem me sabe dizer ao certo o que se passa com o Mocinha e a Elsa? hoje no secretário de estado voltou a haver barraca. Não fosse o homem e o presidente a por agua na fervura e ainda andavam à batatada! O que deu origem àquilo? alguem sabe?


De Anónimo a 21 de Dezembro de 2008 às 11:30
Acho ue foi o Tiago Abreu que lá apareceu a ofender todos os convidados levou uma boas batatadas dos dois.
Assim é que a dra. Elsa e o dr. Mocinha devem tratar sempre o Paulinho Portinholas.


De Tiago Abreu a 21 de Dezembro de 2008 às 17:57
Eu?? Ir assistir às mentiras dos secretários de Estado do PS? Nem lá pus os pés. O ano passado anunciaram milhões para Vila Fernando com pompa e circunstância, o ano está a chegar ao fim e o que se viu? Zero, nada! Esses senhores deviam ter vergonha de cá pôr os pés! Quando ao Nuno e à Elsa não faço a menor ideia do que se passa. E sinceramente nem quero saber!


De Gaiato alentejano a 19 de Dezembro de 2008 às 20:02
Sr. César.

Diz o senhor que o assunto referido relativamente à Angola é mesmo sério. Não acho. Acho simplesmente que fica escandalizado por ser um país do Terceiro Mundo quem consiga subir na palestra. Ninguém diz que em Angola não haja corrupção. Há. E que há muita mais corrupção do que em países como o nosso, lá isso há.

Mas comete o erro de esquecer a trave no nosso olho. Que político não aproveita a ocasião para se enriquecer (lícita ou ilicitamente)? E as ligações política-empresa? Há pouco criticou os rendimentos do presidente da Câmara, que são uma ninharia em comparação com outros, mas o que disse naquela ocasião é mais uma prova de que a política beneficia principalmente aos... políticos. Que seja uma filha do presidente angolano quem tenha adquirido o 10% tem a importância que tem. Talvez se tenha esquecido o senhor de que Angola é um importante país produtor de petróleo, sendo que até há bem pouco o preço do crude era bem alto. Não admiraria, então, que uma pessoa bem relacionada com a política (neste caso um familiar) tirasse rendimentos.

Cá em Portugal temos banqueiros e empresários que ganham muito dinheiro. Acha que é por quê? Porque sabem manter relações privilegiadas com os políticos, beneficiando-se neste caso das concessões, investimentos públicos, etc. Quer dizer, exactamente como em Angola.

E não me venha com argumentos bacocos sobre o acréscimo do PIB. Acha realmente que o 1% ou o 0,5% de crescimento cá em Portugal é igual para todos? Só basta ver quanto aumenta a porcaria do salário mínimo e qual é o rendimento das grandes empresas. Compare os ordenados dos Berardos, dos Belmiros de Azevedo, etc. com um ordenado qualquer do zé-povinho e depois me diz. Mais ainda: Acha que os angolanos são daqueles que ganham 1 dólar por dia? Está muito enganado. É o que acontece quando se toca num assunto do qual não se faz a mais mínima ideia.

Por outro lado diz que "apoiamos meia dúzia de déspotas angolanos a explorar o próprio povo". Déspotas???? Se o senhor lê jornais, saberá que recentemente houve umas eleições democráticas no país com vigilância de observadores internacionais. É o que os angolanos escolheram, tal como cá em Elvas a uma forte maioria a eleger o Rondão. Que gostem mais ou menos ou que governem de uma forma ou outra, nada nos dá direito a chamar de "déspota" a quem tem sido elegido de forma democrática.

Com o comentário do MPLP retrata-se como o que realmente é. O que o senhor não pode admitir é que um país do Terceiro Mundo possa vir algum dia a ser um investidor, mais ainda se se tratar de uma antiga ex-colónia. É claro que se fossem empresários portugueses a investirem em outros países, falaríamos da projecção internacional da nossa economia, do carácter empreendedor de determinadas empresas, etc., etc. Mas claro, se forem outros países, mais concretamente antigas colónias, claro, que horror! Pelo amor de Deus! Não é admissível! (Note-se a ironia) e que melhor do que falar das falhas desse país, falhas que aliás, todos os países têm em maior ou menor medida. Isso tem um nome e chama-se DEMAGOGIA.

Sou leitor do seu blogue há muito tempo. No início achava-o uma pessoa ajuizada e ainda concordo com algumas das coisas que diz respeito por exemplo aos professores, à educação ou à algumas falhas que temos cá na nossa linda cidade. Mas este tipo de comentários vêm a dizer que tipo de pessoa é. Deixo a imaginação para o leitor que possa vir a ler isto...

P.S. Não sou angolano. Som bem europeu e orgulho-me disso, não sou é demagogo.


De Jacinto César a 19 de Dezembro de 2008 às 21:10
Caro amigo

Depois do seu comentário, gostaria de lhe prestar alguns esclarecimentos:

1 – Não está a dizer a verdade em relação ao que escrevi sobre o que ganha o presidente da câmara. Nunca me viu escrever a dizer que ganha muito, mas sim e tal como o título dizia “Transparência” por em evidência a diferença entre o comportamento dos vários políticos. Se voltar a ler bem, concordará comigo.

2 – Apesar de ter estado em Moçambique 2 anos como combatente não significa que fosse a favor da continuação da dominação portuguesa daqueles territórios. Fui sim contra a forma e não quanto ao conteúdo. Terá que concordar comigo que não descolonizámos da melhor forma.

3 – Para sua informação nunca por nunca fui racista, ao ponto de ter como nora uma “escurinha” de quem gosto como se de uma filha se tratasse. A única forma de racismo que possuo é contra a estupidez humana. Essa não tolero.

4 – Quanto ao não conhecer África, está muito enganado. Conheço-a dos tempos do antigamente e dos de agora. Sabe, é que o meu grande vício é viajar por lugares e continentes que poucos gostam de fazer. Como tal, sei do que falo.

5 – A minha indignação e revolta vai toda contra os ditadores corruptos que chupam até ao tutano o povo que governam. E seja em Angola ou em Portugal.

6 – Quanto ao facto de dizer que me sinto mal pelo facto de serem angolanos a investir em Portugal, está muito enganado. O Brasil também foi uma colónia nossa que investe no nosso país e no entanto não tenho problemas alguns, porque com que eu saiba não é o seu presidente e familiares que o fazem. Apesar de acreditar que haja corrupção no Brasil tal como em todos os países, não me consta que Lula da Silva seja um dos homens mais ricos do mundo como é José Eduardo dos Santos.

Como vê as coisas são um bocado diferentes da maneira como as leu ou entendeu. Não sou africano, mas gosto muito de África.

Jacinto César


De Gaiato alentejano a 19 de Dezembro de 2008 às 22:09
Sr. César.

Agradeço os seus comentários, mas não concordo a maior parte daquilo que diz.

1- Quanto aos rendimentos do Presidente da Câmara, o senhor disse, e lembro-me bem, que pensava que (o senhor) ganhava muito e que ainda havia pessoas como o Presidente que ganhavam muito mais. Quero dizer que isso da transparência não deixa de ser uma conversa da treta. Se não houver transparência, critica-se isso. Se houver tal transparência e o indivíduo em questão declarar pouco, criticar-se-ia logo que esses números não davam para acreditar. Se for muito e declarar várias propriedades e uns vencimentos muito acima da média, quer fruto do seu trabalho, quer fruto da sua posição política, critica-se também. A questão é criticar sempre. Eu sou a favor da transparência, mas não do seu uso no jogo da política a não ser que revele irregularidades susceptíveis de serem punidas.

2-Concordo completamente com o senhor com que a colonização foi um desastre e que consumiu recursos e homens inutilmente. Nada, pois, que acrescentar.

3-Não o tenho acusado de racismo, mas o facto de ter uma nora negra ou africana (os negros preferem mesmo serem chamados de negros, os eufemismos sobram) não quer dizer nada. Embora não queira divulgar nada sobre a minha situação familiar, já que prefiro preservar o meu direito ao anonimato, também tenho parentes africanos muito próximos de mim, e foi graças a eles que cheguei a amar um continente tão lindo quanto esquecido como é África. Mas serviu para ser confrontado com realidades às quais não estava acostumado. Embora nunca me tenha considerado racista (como aliás toda a gente se considera), tive de confrontar preconceitos que partem da ignorância e do desconhecimento, não só das pessoas, dos outros, que também, mas sobre tudo dos meus. Agora, como grande conhecedor do continente africano que me considero (sim, eu também gosto de viajar e conhecer novas culturas), não vou em qualquer cantiga.

4-Seguindo com a argumentação, se o senhor queria denunciar um facto como a corrupção em África a partir do caso angolano, acho óptimo, mas também penso que não soube transmitir a mensagem porque uma atenta leitura dos seus comentários parecem deixar transparecer outras coisas que tenho criticado. Não tenho especiais problemas de compreensão na leitura, se bem que, como qualquer humano, posso errar, mas acho que talvez as coisas pudessem ter sido ditas de outra maneira por forma a não transmitir ideias erradas ou conduzir a engano.

5-Não concordo em chamar de ditador ao presidente angolano, uma vez que tem sido elegido de forma democrática. Posso admitir, no entanto, o seu autoritarismo ou a generalização da corrupção no país para uns níveis que não seriam admissíveis cá na Europa. Mas isso não o converte em ditador como pode ser o Teodoro Obiang na Guiné Equatorial ou o Mugabe no Zimbábue. Apenas em mais um presidente alegadamente corrupto.

6-Não são comparáveis os casos do Brasil e de Angola. O Brasil e um país emergente e encontra-se entre as 20 primeiras economias do mundo. Angola é um país africano, assolado pela guerra, que está a fazer um grande esforço de reconstrução e que, mesmo com as suas falhas como a corrupção o a desigualdade social, é um país muito mais desenvolvido do que outros países africanos limítrofes. Há ainda muita coisa a fazer lá, sim, mas o que já se tem feito é muito mais do que muitos países africanos fizeram, mesmo com níveis semelhantes de corrupção.

7-Quanto aos homens mais ricos do mundo, nada indica que o presidente angolano seja um deles. Realmente apenas há falatórios, mexericos, etc. Também disseram que a rainha de Inglaterra era a mais rica do mundo ou ainda o sultão de Brunei. Mas as únicas fontes que temos sobre homens ricos são apenas direccionadas para indivíduos que não são políticos, com base em estimações. Só eles é que sabem realmente o que têm ou até pode ser que não..., com tanto dinheiro. Veja por exemplo, a classificação da revista "Forbes".

Lamento ter escrito tanto. Simplesmente queria expressar o meu ponto de vista sobre aquilo que acho e com o que não concordo. Sempre fui uma pessoa atenta às formas, que acho que fazem a diferença. De qualquer forma, fico contente por termos uma coisa em comum: o amor por esse lindo continente que é África.


De Jacinto César a 19 de Dezembro de 2008 às 22:56
Caro amigo

Se bem calhar são mais as coisas em que coincidimos dos que as que discordamos. Há no entanto uma diferença muito grande entre nós: enquanto eu dou aqui a cara todos os dias e exponho-me “sem rede”, o meu amigo parece ter medo de dar a cara e mostrar aquilo que pensa sem rodeios.

Jacinto César


De Zequinha a 20 de Dezembro de 2008 às 16:22
Caro Gaiato Alentejano

Então se, se... fosse caso de se criar um MPLP, já estava mal e era "ilegitimo"! No caso angolano já está bem e foi democrático, legítimo... ele há com cada Ché... santa inocência. Para uns sim! Para outra já... ALTO LÁ! O QUE É QUE É ISSO! DITADORES!


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