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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Consequências da avaliação 1

 

 

 

Começamos por uma escala de avaliação, em que as consequências negativas vão até aos 65% de pontos obtidos nos itens avaliados e não até aos 50% como seria normal, mas deixemos isso por agora e vamos analisar em concreto essas consequências e quais as suas condicionantes.

Se um professor  tiver avaliação Não Satisfaz ou Regular (sem qualquer tipo de quota para o não satisfaz ou regular) vê de imediato esse período a que se refere a avaliação não ser contado para a progressão na carreira, o que no caso do Não Satisfaz é uma consequência lógica, sempre e quando a avaliação seja justa e racional o que não é o caso, no caso do regular já é discutível, tendo em consideração que para ter regular o docente tem que ter 50% do máximo de pontos previstos, ou seja que sendo uma avaliação positiva não deveria dar lugar a penalização.

 Se a avaliação do professor for Bom, isto é mais de 65% e menos de 80%  dos pontos previstos, conta o tempo normal para progressão na carreira.

 

 Se avaliação do professor for Muito Bom ou Excelente, aí em primeiro lugar teremos que verificar se “cabe” na quota, que é de 10% e 5% respectivamente, caso contrário terá que ter Bom, e continuar a trabalhar para que a, a não adoecer, a não deixar adoecer nenhum filho, a não deixar morrer nenhum familiar próximo ou a não ir ao respectivo funeral, para que na possa voltar a atingir este nível no período seguinte, e ter esperança que desta vez “caiba” na quota, isto se não estiver numa escola com menos de 20 professores na sua categoria, caso contrário pode dizer adeus ao excelente por muito que trabalhe, porque ou pede transferência para uma Escola com mais professores, ou nunca haverá quota. Para o ministério não pode haver professores excelentes e nalguns casos nem Muito Bons em Escolas pequenas. Mas se o professor conseguir mesmo ter o Mito bom ou o Excelente e entrar nas quotas o quais são as consequências em termos de progressão na carreira? Nenhumas, continua a progredir normalmente como se tivesse tido Bom, terá que ter Uma dessas calcificações em dois períodos consecutivos, ou seja, mais outro período  em que não poderá adoecer, ter nenhum filho doente, não lhe poderá falecer nenhum familiar próximo ou terá que optar por não ir ao funeral, de dos pontos previstos, depois, se ainda não for professor titular verá reduzido o tempo para poder concorrer a essa categoria, a que mais suma vez só chegará se houver quota, se já for titular, continua a não acontecer nada. Como fica claro, o efeito de uma avaliação negativa, ou até positiva mas inferior a Bom faz-se sentir de imediato na carreira do professor, uma avaliação de Muito Bom ou Excelente, só terá efeito se for repetida, e mesmo assim só se o professor não for titular, ou não tiver já o tempo necessário para poder concorrer a titular, e mesmo assim é necessário que depois haja quota para titular para poder beneficiar dessas avaliações consecutivas de muito bom ou excelente. Depois há a questão da quota, bem demonstrativa do preconceito do legislador. Como é possível admitir-se que pode haver um número indeterminado e ilimitado de Não Satisfaz e Satisfaz, que são directamente penalizantes para o docente e estabelecer quotas para o Muito Bom e Excelente. Sou por principio, contrário a qualquer quota em questões de avaliação pois penso que cada um deve ter a classificação que merece, e não aquela que um determinado limite impõe, pelo menos é isso que tento fazer com os meus alunos, no entanto, a ter que ser fixada alguma , o rigor científico obrigaria a que se respeitasse uma distribuição normal, (curva de Gauss) e se estabelecesse para o Satisfaz e o Não Satisfaz, os mesmos limites que se estabelecem para o Muito bom e o excelente. Só a má fé pode conduzir a um enviesamento destes, criando limites apenas num dos extremos da curva, penalizando mesmo as avaliações positivas inferiores a Bom, e em contrapartida não beneficiar em igual medida quem obtém Muito Bom ou Excelente, e depois vir dizer que o que se pretende é distinguir os bons professores.

  

António Venâncio


Tasca das amoreiras às 20:19
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10 comentários:
De Anónimo a 12 de Dezembro de 2008 às 21:09
Sr Venâncio parece-me que encontrei a solução veja lã se agrada.
O Estado em vez de financiar a escola, financia os alunos, que por sua vez, podem escolher a escola privada que desejarem aí, ou os profs são muito bons e os alunos continuam nessa escola ou, caso contrário, mudam de escola.
Está a ver, esta é a solução ideal, todos são classificados pelos alunos, que, ao se matricularem na mesma escola no ano seguinte dão a aprovação dos profs que os ensinaram e esta hem! não é uma boa solução não vos agrada!


De António Venâncio a 12 de Dezembro de 2008 às 21:24
Claro que agrada, principalmente se não forem Escolas privadas, mas públicas (isto para evitar casos como o indepentete ou o moderna), e paralelamente se cortar o financiamenteo aos alunos com excesso de faltas, isto para não se tornar mais um rendimento mínimo garantido, e se houver exames anuais dos quais dependa a continuidade desses financiamentos, para que não cairmos na situação de pescadinha de rabo na boca, de estarmos todos a avaliar quem nos avalia.
Agrada-lhe?


De Anónimo a 13 de Dezembro de 2008 às 10:19
Então não lhe agrada a minha solução, como o outro comentador diz, só a auto avaliação vos serve, então a ministra tem razão seja o que for que vos apresente não vos serve.
Como isto é um país de brincadeira e temos o licenciado que temos como 1º ministro, já agora gostava de saber que resultados dava a auto avaliação , posso imaginar.


De António Venâncio a 14 de Dezembro de 2008 às 10:50
Mas o meu amigo tem alguma dificuldade em ler e interpretar aquilo que lê!...
Então eu escrevo "claro que agrada" e o meu amigo lê que não me agrada?...
Só pode ser uma de duas coisas:
Ou analfabetismo
Ou má fé.


De Anónimo a 14 de Dezembro de 2008 às 14:17
Daqui escreve o analfabeto e continuo a dizer que, não lhe agrada pq a minha prerrogativa passaria por os profs deixarem de ser funcionários públicos e noto que há reticencias a essa condição donde concluo que, não lhe agrada a escola privada, corremos o risco de ir á falência como a Independente e a Moderna tiveram má administração e maus profs e zumba falência aí corremos o risco de ficar sem o emprego....


De António Venâncio a 14 de Dezembro de 2008 às 15:24
"não lhe agrada a escola privada"
Não Sr. anónimo não me agrada a Escola privada, e não propriamente porque "corremos o risco de ir á falência" como diz, mas porque corremos o risco de passar diplomas ao domingo após exames feitos por fax. Claro que aqui estamos a falar de avaliação de alunos, algo de muito diferente, aqui tudo é permitido e quanto mais fácil, mais excelentes e muito bons melhor. Não estamos pois a falar de falências mas de falta de qualidade pura, e nalguns casos de falta de ética.
No entanto o seu comentário serviu para me esclarecer de uma questão. Para o Sr. anónimo tudo o que função pública é mau, e as virtualidades estão todas no privado, uma questão de preconceito. A mesma avaliação se for aplicada a uma escola pública não presta se for a uma privada é boa. Não tenho uma visão tão dualista da realidade, eu que até sou pela iniciativa privada, recuso-me a aceitar que os ”bons” deste país foram todos para o privado e os “maus” todos para o público e continuo a considerar que há missões básicas que o estado tem o dever de assegurar. Já agora, se as escolas privadas são tão boas, diga-me quantas escolas privadas em Portugal abriram por exemplo cursos de Medicina? É que procura até há, basta ver a quantidade de compatriotas nosso que vão para Espanha, a expensas suas para tirar o curso. E quais são as escolas de referência em áreas como as Biologias, as Físicas, as Matemáticas ou as Engenharias? São as privadas?...
Onde há uma concorrência de igual para igual, que é ao nível do ensino superior, verificamos que as escolas privadas abrem preferencialmente cursos de baixo investimento, e que excepção feita à tradicional e inquestionável Universidade Católica, nenhuma tem os seus curso cotados no mercado de trabalho acima dos da escola pública.


De Anónimo a 12 de Dezembro de 2008 às 22:32
Não agrada que eu não quero ser avaliado de nenhum modo. Bom, pensando melhor, eu até sou pela avaliação, mas pela auto-avaliação. Cada um avalia-se a si próprio e decide se vai subir na carreira ou não. Assim eu como sou esperto tenho sempre excelente e dentro de uns tempos já tenho 2500€ no bolso.
Se não for assim faço greve, não dou aulas nem avalio os alunos. Esses estão comigo que eu até lhe dei uns ovos para atirar à ministra. Foi tão giro. E se não me deixarem atirar ovos digo logo que é uma atitude anti-democrática!


De António Venâncio a 12 de Dezembro de 2008 às 22:48
O Sr. lá sabe o que defende. A mim nunca me viu defender nada disso, também não me viu incitar alunos para fazer greve, nem dar-lhe ovos para atirar seja a quem for, até porque acho que é um verdadeiro desperdício de ovos.
Quanto a fazer greve, é um direito constitucional, ou será que voltámos ao antes 25 A?
Sempre que considerar que uma qualquer maioria, absoluta ou relativa, está a abusar do seu poder e a tomar medidas prepotentes e injustas e a destruir, ainda mis um sector já tão debilitado como a educação, não hesitarei em utilizar esse direito.


De Anónimo a 13 de Dezembro de 2008 às 12:41
Cá estou o sr. Professor a dizer que nos estão a tirar a democracia. É assunto que levo logo à baila para parecer que sou um pobrezinho. Existe um governo eleito pelos portugueses que tem toda a legitimidade democrática dada pelo povo para fazer o que está a fazer. Conversou com os professores e os sindicatos e até alcançou um acordo. Mas como nós não queremos ser avaliados digo que eles estão a abusar do seu poder e pronto.
Rasga-se o acordo, atiram-se ovos à ministra, prejudicam-se os alunos, não se cumpre a lei e acabou-se a conversa. Isto sim é democracia!


De Jacinto César a 13 de Dezembro de 2008 às 15:08
Caro anónimo
Essa história da maioria absoluta é um grande embuste. É lógico que quem tem uma maioria dessas tem toda a legitimidade de governar, mas não lhe dá o direito de fazerem o que bem entenderem. Além disso, se o governo tem a legitimidade de governar, o cidadão tem direito de se manifestar e de se indignar. A legitimidade é a mesma. Levando a situação ao limite, se o governo decretasse que a partir de agora os vencimentos dos portugueses, independentemente de quanto ganham, passassem a metade, o meu amigo acharia muito bem porque era legítimo da parte do governo porque tem maioria. A democracia é bem mais que isso: se implica que a minoria se sujeite politicamente à minoria, não é menos verdade que a mesma minoria tenha que ser tratada com dignidade. Ou será que a partir de umas eleições quem ganhar pode governar arbitrariamente? Não era por acaso o que Salazar fazia?
Jacinto César


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