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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Novas oportunidades

Caros leitores

Dada a minha função como professor, não sei se a lei me permite criticar em público as directivas do meu ministério (que é o meu patrão). No entanto gostaria de deixar aqui este texto publicado num jornal onde se fala dos objectivos a atingir até 2010 com as Novas Oportunidades, invenção do nosso 1º Ministro, que quero querer com boas intenções, mas que “segundo me dizem, não passa de uma fraude a todo o tamanho”. Segundo me disseram ainda, “qualquer dia estão a oferecer diplomas do 12º ano”. Por favor leiam e tirem as vossas conclusões.

 

Para atingir objectivos de 2010

 

Agência para a Qualificação quer acelerar certificados das Novas Oportunidades

 

O presidente da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), Luís Capucha, reconheceu hoje que é preciso "acelerar" o ritmo da certificação de adultos para alcançar o objectivo de um milhão de certificados em 2010, no âmbito do Programa Novas Oportunidades.

Desde Novembro de 2006 até Novembro de 2008 tem havido uma média de 4000 adultos certificados por mês. "A este ritmo chegaremos a 2010 com 248.398 certificados", disse Luís Capuchas, no II Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades, considerando "impensável ficar com esta dinâmica". Luís Capuchas defendeu a necessidade de "crescer" para uma média de 29.900 adultos certificados por mês, o que significa que tem de se "multiplicar por sete" o número de certificados atribuídos para se atingirem as metas traçadas pelo Programa Novas Oportunidades.

O objectivo é conseguir que em 2010 metade dos alunos matriculados no ensino secundário, ou seja, mais de 650 mil, estejam a frequentar vias profissionais e que todas as escolas secundárias públicas integrem cursos profissionais. Segundo o responsável, de 2006 para 2007 houve um crescimento de 93 por cento dos certificados. Se este ano o crescimento acontecer ao mesmo ritmo, o número de certificados em 2010 será de 428 mil. "O ritmo tem de ser bastante maior para cerca de 200 por cento ao ano e aí atingiremos os objectivos", frisou.

O presidente da ANQ considerou que "não apenas é possível" atingir os objectivos do programa, como "é indispensável para o futuro do país e para as pessoas que se estão a inscrever nos Centros Novas Oportunidades". "O número tem vindo a crescer e nós temos já neste momento cerca de 144 mil pessoas certificadas e esperamos atingir bastante mais de 200 mil no final de 2008", assegurou.

Luís Capucha justificou que, se for tido em conta o número de pessoas que estão inscritas e que estão em processo de formação ou encaminhadas para outras acções, "o número está perfeitamente ao alcance". "O ritmo de crescimento dos inscritos leva-nos a supor que em 2009 teremos mais de 1,2 milhões de inscritos e desses sairão com certeza um milhão de certificados", assegurou.

Presente na abertura do II Encontro Novas Oportunidades, o primeiro-ministro, José Sócrates, salientou a importância deste programa para melhorar "o nível de igualdade social no país" e para o crescimento económico. "É um programa absolutamente decisivo para a economia e igualdade social e que já criou um grande movimento ao qual temos de responder", sublinhou. O "movimento social no país" traduz-se em mais de 600 mil portugueses inscritos nos Centros Novas Oportunidades, justificou.

Para José Sócrates, "o défice das qualificações é o défice mais sério que o país tem de enfrentar e resolver", uma vez que há indicadores que referem que apenas cerca de 25 por cento da população adulta em Portugal completou o ensino secundário. O primeiro-ministro enalteceu ainda o "acto de coragem" de todos os portugueses que se inscrevem nas Novas Oportunidades ao reconhecerem que "não sabem o suficiente e que têm de voltar à escola para melhor servir a família, a empresa e o país".

Luís Capucha salientou, por seu turno, que existem já 450 Centros Novas Oportunidades, com um crescimento acentuado no último ano (190) e que o objectivo é chegar ao meio milhar. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, também estiveram presentes no encontro, mas nenhum dos responsáveis quis comentar o problema levantado pela ANQ.

 

Jacinto César

 


Tasca das amoreiras às 20:38
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5 comentários:
De conhecido... a 5 de Dezembro de 2008 às 01:30
eu sou mesmo burro... agora é que lá devia andar... tantas facilidades... até dão computadores...


De João Casimiro a 5 de Dezembro de 2008 às 11:11
Veja a questão sob diferentes perspectivas:
1ª - Será que a maioria dos que fizeram o 12º ano pela via normal adquiriram e conservaram mais conhecimentos e melhores competências que as que são certificadas pelas "Novas Oportunidades"?
2ª - Já que é professor, experimente prestar atenção ao nível cultural de alguns dos seus colegas que obtiveram diplomas universitários. Repare como escrevem, como falam, o que leram, os interesses culturais a que se prendem. Será que algumas pessoas certificadas lhes são inferiores?
3ª - Lá porque algumas organizações, instituições e pessoas responsáveis pela certificação abandalham e cumprem de forma relapsa os seus deveres, devemos por isso condenar o projecto e os seus objectivos?
4ª - Condena esta intenção de reconhecer o mérito dos que, por diversas razões, não usufruiram de uma longa escolarização, certificando as aprendizagens, em termos de conhecimentos e competências, que foram adquirindo com a suas experiências pessoais e profissionais?

Talvez seja bom separar o trigo do joio e não misturar tudo no mesmo saco.


De António Venâncio a 5 de Dezembro de 2008 às 12:31
Caro João Casimiro
Levanta algumas questões que não são abordadas no texto, mas que são de grande importância, pelo que irei tentar dar uma resposta, do meu ponto de vista.
“Será que a maioria dos que fizeram o 12º ano pela via normal adquiriram e conservaram mais conhecimentos e melhores competências que as que são certificadas pelas "Novas Oportunidades"?”
Penso que aqui temos um problema grave, que toda a sociedade tem que encarar, e que se prende com uma definição clara do que se pretende da Escola. Se um “sucesso” a todo o custo, baixando o grau de exigência desde o 1º ano ao 12º como se tem verificado, para obter um elevado número de “certificados”, se um ensino centrado na qualidade, procurando o aumento real da qualificação dos jovens. Não se trata a meu ver, de “nivelar por baixo”, se na realidade queremos que o País evolua, teremos que “puxar para cima”, pelo que teremos que nos questionar se o que necessitamos é, como refere o texto, é aumentar exponencialmente o número de “certificados” passados, ou se a prioridade é melhorar as “qualificações” dos portugueses.
“Já que é professor, experimente prestar atenção ao nível cultural de alguns dos seus colegas que obtiveram diplomas universitários. Repare como escrevem, como falam, o que leram, os interesses culturais a que se prendem. Será que algumas pessoas certificadas lhes são inferiores?”
Não generalizando, posso concordar consigo que existem alguns casos de nível cultural algo desadequado entre os professores, e esse facto só vem reforçar a minha opinião expressa anteriormente. A confusão que se estabeleceu entre “qualificação” e “certificação”, considerando-se que quanto maior fosse o “número de certificados” maior seria a “qualificação”, conduziu à situação actual.
“Lá porque algumas organizações, instituições e pessoas responsáveis pela certificação abandalham e cumprem de forma relapsa os seus deveres, devemos por isso condenar o projecto e os seus objectivos?”
A questão não é o que fazem “algumas” instituições, o que aqui se aborda é a forma como se defende, por parte dos responsáveis, o aumento das certificações a ritmos dos 200% ao ano, que, para qualquer pessoa minimamente atenta, torna impossível uma aposta na real melhoria das qualificações dos portugueses.
“Condena esta intenção de reconhecer o mérito dos que, por diversas razões, não usufruíram de uma longa escolarização, certificando as aprendizagens, em termos de conhecimentos e competências, que foram adquirindo com a suas experiências pessoais e profissionais?”
Claro está que ninguém contesta a certificação das competências adquiridas ao longo da vida (à excepção claro do Ministério da Educação que se recusa a reconhecer a obtenção de licenciatura por alguns dos seus funcionários, e retirar disso as devidas consequências) a questão que se põe é o objectivo explícito de “fazer” números a todo o custo.
Resumindo estou de acordo que existem deficiências no sistema de ensino actual que refere nas suas questões 1 e 2 mas não posso concordar que a solução seja passar “certificados” em série. Bem pelo contrário a solução só pode ser voltar a um sistema de ensino exigente que qualifique os nossos alunos.


De Zequinha a 6 de Dezembro de 2008 às 16:42
Sr. João Casimiro
Todas as questões que coloca me parecem bastante pertinentes! Acho é que elencam uma "desculpa" para a proliferação da mediocridade. Parece que defende que se os formados pelo ensino "normal" não são perfeitos, têm falhas e um índice cultural (gostava de saber como mede isso) baixo, então o resto do pessoal têm direito a ter canudo!? Certificados sim senhor, mas em quê? Em coisas vagas? Matemática não é necessário, português nem vê-lo , e por aí fora.
Já agora aproveito para colocar a questão ao contrário. Então e os alunos que se esforçaram minimamente para completar o 12º ano e não conseguiram entrar para a faculdade estando esta com vagas ocupadas por "injectados" das novas oportunidades? Estes já não têm direito ao canudo? Podia, mas claro está que não vou, citar vários casos de pessoas que por desleixo ou por dificuldades não fizeram o 9º ano e agora frequentam a faculdade! Isto no espaço de ano e tal! será que de repente se tornaram inteligentes e culto? Chegam lá e claro está, vêm o abismo! Foram enganados, iludidos! Pensavam que por ter o canudinho do skip os fazia mais inteligentes! Será que é de doutores e engenheiros destes que o país necessita? Vou gostar de ver o resultado e consequências que isto terá dentro de 15, 20 anos!
Penso que a questão levantada pelo post , e bem, serve para alertar para a bandalheira das estatísticas. Resume-se a estatísticas para tentar encapotar a falta de formação e escolaridade face a outros países europeus. Simples e cristalino. Mas por outro lado também acho, se o Sócrates tem a licenciatura que tem porque é que o resto dos portugueses não poderão ter uma?

PS - O César lhe explique o que custa tirar um curso superior quando já se tem certa idade. Coisa que para mim tem um mérito acrescido. Veja o exemplo da (infelizmente) falecida esposa do César. Isso sim é Mérito!
Um bom Homem é sempre um bom Homem! Com canudo ou sem canudo! Não se preocupe...


De João Casimiro a 5 de Dezembro de 2008 às 18:26
Muito bem. Estamos de acordo no fundamental. Foi bom termos precisado as nossas ideias quanto aos problemas implicados neste tema, que é, as mais das vezes, comentado com meros preconceitos, muito deles totalmente desdequados.
Cumprimentos
J. Casimiro


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