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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Quando o definitivo se torna temporário

 No passado dia oito de Novembro, manifestaram-se em Lisboa aproximadamente 120 000 professores (80% de uma classe profissional), contra uma reforma do Sistema de Ensino que está a conduzir à degradação da qualidade do mesmo, e ao comprometimento do futuro de toda uma geração de jovens, prejudicada pelas medidas autistas do Ministério da Educação. Sim porque o que está em causa não é, como se quer fazer crer, querer ou não ser avaliado, porque nisso estamos todos de acordo, sempre o fomos, contrariamente ao que se apregoa, e tal facto é comprovável pela simples consulta dos nossos registos biográficos, nos quais consta uma classificação de serviço anual. O que verdadeiramente está em causa é a burocratização do sistema, que tem sido implementada por esta equipa ministerial, e que culminou num modelo de avaliação, também ele altamente burocrático, convertendo o professor num mero produtor de papéis e participante de reuniões em detrimento da sua missão principal, ENSINAR. 

 

 Nestas circunstâncias, aproximadamente 120 000 pessoas, (80% de uma classe profissional) dirigiram-se a Lisboa, no seu dia de descanso, provenientes de todo o país, percorrendo nalguns casos centenas de quilómetros, para manifestar o seu descontentamento. De notar ainda que sendo uma profissão em que um elevado número de docentes se encontra deslocado da sua residência, muitos abdicaram das poucas horas semanais de que dispõem para estar com a família.

Perante essa manifestação, curiosamente ou talvez não, a PSP, pela primeira vez, não indicou o número de manifestantes, chegando mesmo a dizer ao longo da semana “A PSP nunca mais divulgará números de manifestantes. O director-nacional da PSP, Oliveira Pereira, assume, em declarações ao SOL, a autoria da decisão. «Foi minha e tem carácter definitivo. Cheguei à conclusão de que não há nenhuma mais-valia nessa divulgação para a PSP, os manifestantes, os sindicatos ou os jornalistas porque há sempre discrepâncias»” (in jornal O Sol, 15 Novembro 08).

No passado dia quinze, nova manifestação de professores foi convocada para Lisboa. Com seria de esperar, dada a proximidade das duas manifestações, os números da adesão foram significativamente menores, 10 000 de acordo com a organização e pasme-se 7 000 de acordo com a PSP.

Ou eu já não sei o que significa definitivamente, ou houve aqui uma manobra mal explicada de não divulgação de números quando não interessa e de divulgação quando interessa.

Depois da constatação de factos acima, apenas algumas questões em jeito de conclusão:

            Nunca em Portugal se haviam realizado duas manifestações de uma classe profissional com esta envergadura no espaço de menos de um ano.

            Nunca em Portugal uma classe profissional tinha conseguido mobilizar 80% dos seus membros na defesa do que considera correcto.

            Ninguém se convença que o facto de esta manifestação de professores realizada no dia quinze ter apenas 7 000 a 10 000 manifestantes, conforme a perspectiva, significa uma menor mobilização dos professores porque estará a enganar-se a si próprio.

            As manobras efectuadas ao nível da informação, escamoteando os números que não interessa revelar, apenas servem para demonstrar quão necessária se torna a luta dos professores pela manutenção de um ensino de qualidade, que forme cidadãos com espírito crítico, capazes de interpretar este tipo de atitudes e tirar as suas próprias conclusões, em detrimento do modelo que se quer impor de certificação da incompetência.

Dito isto resta-me acrescentar que deve o Sr. Primeiro Ministro pensar onde terá de errado a sua política neste sector, que consegue pela primeira vez uma tal unidade, e lamentar que, politicamente, se leve uma força de segurança com o prestígio e a isenção da PSP a tomar posições de parcialidade, onde o definitivo passa a temporário em apenas uma semana para calar ou divulgar o que convém ao partido do poder.

 

NOTA: Aos comentadores do costume, na sua grande maioria anónimos, mesmo dando de barato que os 20% que não foram a Lisboa no passado dia 8 de Novembro são a favor das políticas do ministério deixo as seguintes perguntas:

Acreditam genuinamente que 80% dos professore portugueses estão errados?

Acreditam genuinamente que 80% dos professores portugueses são manipuláveis?

Acreditam genuinamente que 80% dos professore portugueses eram antes do início deste processo (agora talvez sejam!..) adversários políticos do PS?

Acreditam genuinamente que 80% dos professore portugueses não defendem a melhor Escola para os seus alunos?

 

 

 

António Venâncio    


Tasca das amoreiras às 15:44
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24 comentários:
De Anónimo a 16 de Novembro de 2008 às 16:13
Acredito.
Estão apenas a defender os interesses da classe e isso é algo que eu acho de muito mau gosto no caso do professorado onde os interesses deviam ser só e apenas ensinar e tornar esta sociedade cada vez melhor.
Mas o mesmo se passa com médicos ou juízes. É igual


De António Venâncio a 16 de Novembro de 2008 às 17:15
Se na realidade pensa assim, tenho muita pena, porque de acordo com um velho ditado popular "como somos assim pensamos". Apesar de tudo eu não penso assim. No que me diz respeito essa não é a realidade e do que conheço também não é a postura da maioria dos meus colegas, que se preocupam com os seus alunos mais do que muitas vezes os seus próprios pais que nem sequer se deslocam à Escola quando são consecutivamente convocados


De Anónimo a 16 de Novembro de 2008 às 18:13
Nisso tem o sr. Venâncio toda a razão. Há mesmo muitos professores que dedicam tudo aos seus alunos e se calhar a maioria dos pais não liga à educação dos filhos porque nem sequer a têm eles.
No entanto, isso não significa que não haja uma grande parte do professorado que quer manter as coisas como estão, sem serem avaliados, mantendo o nosso ensino no mesmo marasmo onde já está há décadas. E o que é ainda pior é a questão de usarem os seus alunos para fazer contestação, assim o como o PSD unido aos sindicatos os utilizam a eles.


De António Venâncio a 16 de Novembro de 2008 às 19:20
Já ficou dito no texto que não é verdade que não tenhamos sido avaliados nos últimos anos, caso contrário como consta do nosso registo biográfico uma classificação de serviço por cada ano de serviço?...
"Quanto a manter o ensino no marasmo que está há décadas", é uma frase de quem não conhece a realidade do ensino, porque o ensino não se mantém há décadas num marasmo, tem vindo progressivamente baixando de qualidade graças às políticas facilitistas dos sucessivos ministérios, na ânsia de conseguir, ainda que artificialmente, reduzir os níveis de insucesso. O actual ministério deu passos gigantescos nesse caminho, ao mesmo tempo que tornou impossível aos professores dedicar aos seus alunos e à preparação das suas aulas o tempo devido pela sobrecarga de papéis e reuniões a que os obriga.
Por mim, e no que toca a avaliação, que venha alguém com qualificação para tal, quer na vertente pedagógica quer na área científica que lecciono e no dia que quiser, na aula que quiser sem aviso prévio assista à aula e avalie. Agora não me façam perder um tempo que é precioso para preparar aulas e fazer apontamentos para os meus alunos a preencher uma quantidade de papéis inúteis que apenas servem para encher dossiers, e dar trabalho ao meu avaliador, que gosta tanto deste sistema como eu. O meu avaliador além de processar toda essa informação, minha e de mais 11 pessoas, terá que assistir a um mínimo de 3 aulas de cada um de nós, o que perfaz um total de 36 aulas, o que implica trocar algumas das aulas que tem com os seus próprios alunos para compatibilizar os horários e estar disponível às horas a que eu tenho aulas.
Como se não bastasse, o meu avaliador terá que assistir a pelo menos 15 aulas de matérias que desconhece totalmente, e no final terá que avaliar o rigor científico com que eu e os meus colegas leccionámos essas aulas.
Em que beneficia tudo isto a educação em Portugal?


De Anónimo a 16 de Novembro de 2008 às 17:36
Com que então acredita !!!

E que tal se fosse acreditar na seguinte "Anedota"

Justiça, Educação e Saúde

Os ministros de Portugal e da Suíça encontram-se numa cimeira.
O Primeiro Ministro de Portugal apresenta a sua equipa ao Primeiro Ministro da Suíça:
- Este é o Ministro da Saúde, este é o Ministro da Educação, este é o Ministro da Cultura e este é o Ministro da Justiça.
O Primeiro Ministro da Suíça apresenta então a sua equipa:
- Este é o Ministro da Saúde, este é o Ministro da Agricultura, este é o Ministro da Educação, este é o Ministro da Marinha...
O Primeiro Ministro português ri-se e interrompe-o:
- Desculpe, mas... se a Suíça não tem mar, porque raio é que tem um Ministro da Marinha?
- Olhe, quando você me apresentou os Ministros da Justiça, da Educação e da Saúde eu também não me ri nem estranhei...


De leiras a 16 de Novembro de 2008 às 20:01
Bem, vamos por partes. As questões que se colocam são em função das conveniências de cada um. Sou a favor da avaliação de todos os profissionais e que prestam serviços a outrem, publico ou privado. No sector privado isso passa-se naturalmente. Se eu contrato um pedreiro para efectuar uma obra e ele não a executa de acordo com o que solicitei, além de reclamar do serviço, nunca mais esse profissional é contratado por mim. Foi ou não foi efectuada uma avaliação não formal?
Agora se me perguntam se eu concordo com as avaliações do modo como são feitas no sector público, responderei NÃO. As avaliações deviam servir de indicador e como factor de correcção de atitude e métodos de trabalho por parte do profissional avaliado. E isso não se passa actualmente com as avaliações. Quanto à avaliação dos professores apenas digo: Eu quero uma melhor escola para os meus filhos. Até agora sou ouvi o protesto dos professores e dos alunos. Espero que se pronuncie a associação nacional dos encarregados de educação. Estes com toda a certeza estão por dentro deste processo.


De António Venâncio a 16 de Novembro de 2008 às 20:23
Amigo leiras
Plenamente de acordo, como pode ver pelo texto também eu concordo com a avaliação, só que como diz "As avaliações deviam servir de indicador e como factor de correcção de atitude e métodos de trabalho por parte do profissional avaliado" e o actual modelo de avaliação não serve esses objectivos, sendo apenas mais um entrave ao bom funcionamento da Escola e, por via das cotas impostas, uma medida economicista.


De tiago a 16 de Novembro de 2008 às 20:40
Desculpem lá a intromissão.
Passei por aqui para deixar um lamento aos donos deste blog: não acho bem terem um link ao blog do meu maninho gémeo e não terem um lik para o meu blog www.camaradoscomunss.blogspot.com (comunss com dois "s").

Peço-vos democracia que sei que existe aqui e já não posso dizer o mesmo de todos os blogs.
Acho que é justo e o meu maninho gémeo vai ficar maravilhado, pular de contente e a babar-se... de raiva!

Metam lá o link a esta maravilha da blogosfera!

Frutinha ou chocolate com sabor a menta.

Abracinhos do
Tiago



De Tasca das amoreiras a 16 de Novembro de 2008 às 21:31
Oh meu amigo: não quero que fique traumatizado pelo facto de não ter aqui o seu link. Aqui é só pedir por boca e está feito. Infelizmente só não fazemos milagres. O resto vamos fazendo!
Já agora, se o seu irmão gémeo tem uma identidade o meu amigo não devia dar conhecimento público da sua?


De Tiago a 16 de Novembro de 2008 às 23:54
Claro que posso. Chamo-me Elsa, sou Pura, sou submissa tipo Ambrósio, e esperta quer nem um grilo.


De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 00:11
Eu também posso pedir um LINK para a FUNE BLOGS


De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 00:15
Desculpem lá a intromissão.
Passei por aqui para deixar um lamento aos donos deste blog: não acho bem terem um link ao blog do meu maninho gémeo e não terem um lik para o meu blog www.camaradosrondonios.blogspot.com (rondonioss com dois "s").

Peço-vos democracia que sei que existe aqui e já não posso dizer o mesmo de todos os blogs.
Acho que é justo e o meu maninho gémeo vai ficar maravilhado, pular de contente e a babar-se... de raiva!

Metam lá o link a esta maravilha da blogosfera!

Leitinho ou chocolate com sabor ao que tu quiseres.

Abracinhos do
Rondónio


De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 14:07
Finalmente após meses e meses a comentar como anónima decidi dar o passo em frente. Criei o meu blog! Beijinhos.


De Elsa a 17 de Novembro de 2008 às 14:07
Finalmente após meses e meses a comentar como anónima decidi dar o passo em frente. Criei o meu blog! Beijinhos.


De Elsa a 17 de Novembro de 2008 às 14:08
Cliquem no meu lindo nome e vejam o meu perfil. Beijocas da Elsa.


De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 14:34
Desculpem lá a intromissão.
Passei por aqui para deixar um lamento aos donos deste blog: não acho bem terem um link ao blog do meu maninho gémeo e não terem um lik para o meu blog www.camaradosrondonios.blogspot.com (rondonioss com dois "s").

Peço-vos democracia que sei que existe aqui e já não posso dizer o mesmo de todos os blogs.
Acho que é justo e o meu maninho gémeo vai ficar maravilhado, pular de contente e a babar-se... de raiva!

Metam lá o link a esta maravilha da blogosfera!

Leitinho ou chocolate com sabor ao que tu quiseres.

Abracinhos do
Rondónio



De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 14:37
DO ELSA BLOG

Oh meu amigo: não quero que fique traumatizado pelo facto de não ter aqui o seu link. Aqui é só pedir por boca e está feito. Infelizmente só não fazemos milagres. O resto vamos fazendo!
Já agora, se o seu irmão gémeo tem uma identidade o meu amigo não devia dar conhecimento público da sua?


De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 14:38
SOU RONDÓNIO


De ELSA a 17 de Novembro de 2008 às 14:54
Qualquer dia ponho um texto. quando me apetecer. entretanto vão vendo como sou bué lindona. Beijinhos. Elsa


De tiago a 17 de Novembro de 2008 às 23:07
Excelentíssimo Digníssimo César,
essa sugestão nem parece da sua pessoa.

Então não basta dizer que sou gémeo do meu maninho para saber que sou eu?!... A cara chapada de um (veja a foto) é o focinho escarrado do outro, como diz o povo.

E se eu me apresentasse publicamente como sugere não imagina as ofensas, as ameaças e as agressões que sofriado do meu maninho? Claro que imagina porque também é vítima dele, e basta ver o que ele já está a fazer á coitada da drª Elsa. Se fosse eu já lhe tinha metido os cabelos do nariz para dentro... eh, eh, eh, eh.


De leiras a 17 de Novembro de 2008 às 15:46
Sr Prof. Jacinto César
O que se está a passar nos comentários é pura e simplesmente uma vergonha.
Assim se vai estragar um blog. Não é a primeira vez nem com toda a certeza vai ser a última que se nota da parte de alguns comentadores anónimos uma tentativa de bloquear a informação. E para isso usam todos os estratagemas. Compete ao autor ou autores do blogue fazer uma limpeza à casa sob pena desta ficar de tal maneira conspurcada que, mais tarde, nem que usem os melhores detergentes, vão conseguir atraír as visitas.
Os textos para comentar até são pertinentes e bem colocados. Os comentários sérios até poderiam contribuir para clarificar opiniões. Não interessa que todos tenham a mesma opinião. Interessa sim é que a expressemos seja ela qual for. Pelo modo como estão a ser efectuados os comentários há, sem qualquer dúvida, interesse de alguém em bloquear a informação.
Não se trata de cortar o "pio" às pessoas. Trata-se sim de vedar a entrada na casa a pessoas que não são visitas desejadas.
Um abraço Srs. autores do blogue e continuem com a mesma força e atitude, mas imponham regras de conduta.


De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 16:19
Tens toda a razão Leiras; Sucede que, o contrapoder em Elvas é o que é, depois dá nisto.
Jogo sujo, desinformação, ofença barata, etc e tal e tudo o mais que nós conhecemos.


De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 18:14
A Elsa e o Sobreiro estão encarregues de conspuracr tudo e todos para descredibilizar!


De Anónimo a 17 de Novembro de 2008 às 16:20
Os portinholeiros poderiam juntar-se todos no blog da má lingua mas, não vem para este porque sabem que é os mais lido.


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