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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2015

Forte da Graça - 7

 

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OS UNIFORMES DO CONDE LIPPE 1764 – 1806

Foi no início de 1764, que o Conde Lippe (Frederico Guilherme Ernesto, Conde Reinante de Schaumbourg Lippe, Marechal General dos Exércitos de Portugal e Field-Marshal dos Exércitos da Grã-Bretanha), executou uma das suas obras mais importantes, no que diz respeito aos uniformes do Exército. Trata-se da primeira regulamentação sobre fardamentos e que iria durar, com poucas alterações, até ao ano de 1806. Por força do Alvará de 24 de Março de 1764, Lippe regulamentou, finalmente, o uso dos uniformes para o Exército e Marinha, dando-lhes um aspecto igual, por Armas (infantaria, cavalaria, etc.) ou seja o mesmo feitio, sendo os regimentos distinguidos uns dos outros pelas cores das golas, bandas, canhões das mangas, forros, calções e vestias. O Exército do Reino fardaria todo de azul ferrete com excepção para os tambores e pífaros. A Marinha de verde.
No Alvará de 24 de Março de 1764 pode destacar-se, a esse respeito, o seguinte:
CHAPÉUS
"Enquanto eu não tomar resolução sobre a dúvida de ser mais conveniente às minhas tropas o uso de cascos ou barretes, mando, que dos sobreditos três armazéns gerais se forneça a cada, um chapéu cada ano com um topo negro e com cordões que cruzem por fora a copa do chapéu, debaixo de um botão de metal. O botão que ordinariamente se coloca no lado esquerdo da aba do chapéu, será também de metal e o forro de pano de linho de cor preta."(…)
CASACAS, CALÇÕES E VÉSTIAS
"Para as casacas e calções de setecentas e setenta e duas praças dos soldados e oficiais inferiores de cada regimento de infantaria se entregarão a seus devido tempo, dois mil e oitocentos côvados e uma terça de pano azul, à razão de três côvados e duas terças para cada. Para as véstias se entregarão mil cento e cinquenta côvados de pano, à razão de côvado e meio para cada um. Para as divisas, se entregarão duzentos e cinquenta e sete côvados e uma terça, à razão de uma terça para cada farda. Para as dezassete casacas e calções do tambor-mor, tambor e pífaros se entregarão sessenta e oito côvados de pano, à razão de quatro côvados para cada um. E para as véstias se entregarão vinte e cinco côvados e meio de pano, à razão de côvado e meio para cada um."(…)
"Para os forros de setecentas e oitenta e nove casacas, se entregarão três mil quinhentos e cinquenta côvados e meio de serafina, à razão de quatro côvados e meio por cada farda. E para forros das véstias e calções se entregarão dois mil setecentas e uma varas e meia de estopa ou aniagem, à razão de três varas e meia para cada farda."(…)
"Ao mesmo tempo que se entregarem os referidos géneros, serão os mesmos providos de dois calções brancos cada, entregando-se ao comandante duas mil trezentas e sessenta e sete varas dos ditos panos brancos, à razão de uma vara e meia para cada calção."(…)
BOTÕES
"Os botões, que devem ser fornecidos para os sobreditos uniformes, não serão de casquinha, nem de estanho, mas sim de metal duro, chatos e fundidos de modo que os pés deles sejam sempre seguros, formando um anel, pelo qual se possa passar, sem impedimento, um cordão, que os segure a todos juntamente para que possam durar, não só os dois anos que tem por termo o grande fardamento, mas até mudarem de um uniforme vencido para o outro que se seguir, se necessário. Por cada casaca distribuem-se três dúzias de botões, para as véstias e calções duas dúzias."(…)
GRAVATAS
"De linho, sendo umas tintas preto e outras de encarnado, que sejam largas com um dedo de dobra para a parte de dentro, de modo que nelas se possa meter um forro de papelão."(…)


CAMISAS
"De linho"(…)
MEIAS
" De fio dobrado de linho."(…)
POLAINAS
" De brim tintas de negro e a cada par corresponde o fornecimento de duas dúzias de botões de metal, fundidos e passados pelos anéis com cordões de linho."(…)
SAPATOS
"Enquanto eu não resolver do mesmo modo a outra dúvida que é saber se é mais útil ou não ao meu serviço e mais cómodo para os soldados o uso de botinas, ordeno que no principio de cada semestre se forneça, um par de sapatos para cada um e que no fim dos três meses se forneça um par de solas com os seus competentes tacões, sendo isto tudo cortado por bitolas certas."(…)
PENTES
" De matéria que vulgarmente se chama tartaruga do Alentejo, o qual sirva, de uma parte para limpar a cabeça e da outra para concertar o cabelo."(…)
FITA PARA ATAR O CABELO"
Negra de lã, com dois dedos de largura e seis varas de comprimento"(…)
O texto acima publicado é um resumo de onde se retirou o essencial sobre os uniformes em questão. Ao analisarmos os uniformes de 1764 e que foram utilizados até 1806, facilmente se poderá depreender que no espaço de 42 anos houve certamente modificações e tal facto é simples de se poder comprovar, desde que se tenha em atenção o facto de a moda civil ter uma grande influencia na evolução do traje militar; por isso é necessário ter sempre em conta esse domínio. Quando se examina um traje militar de um determinado período ou ano, pode-se constatar que a diferença entre um e outro é mais semelhante do que se pode pensar à primeira vista.
Se tivermos em atenção este facto e a época que estamos a tratar, 1764/1806, temos que verificar quais as alterações mais significativas que houve no trajo civil; para se poder compreender determinado uniforme militar não o basta estudar, tem que se conhecer paralelamente a evolução do traje civil e por vezes o regional. Já Silva Lopes, no seu trabalho Contribuição para o Estudo dos Uniformes Militares Portugueses desde 1664 até 1806, afirmava: "Alterações diversas sofreram os uniformes de 1764 (…) essas alterações teriam resultado mais da moda que de determinações oficiais (…) os chapéus foram mudando de feitio, o corte das casacas foi sofrendo pouco a pouco modificações, os calções transformaram-se em calças."(…) "Quero crer que desde 1801 em diante, tais alterações se acentuaram, mas pouco posso dizer sobre o assunto."(…) e termina afirmando que: "as mais importantes dessas alterações consistiram na união das bandas da casaca e na elevação das golas (…) até 1806 subsistiram as fardas assim modificadas."(…)
Concordo, plenamente, no que Silva Lopes afirma, e basta verificar no período, entre as datas em questão, se passou por várias influências: francesa (antigo regímen), inglesa, novamente francesa (revolução) e novamente inglesa. Os nossos uniformes tinham, como base essencial, influência prussiana (devido, certamente, à acção do Conde Lippe) apesar de ele ter vindo da Grã-bretanha, onde militava.
Se tivermos em consideração que no Alvará vem expresso que: "repartindo-se pelos artífices das terras onde os regimentos tiverem os seus quartéis as ditas fardas ( a sua confecção), de modo que o lucro feitio delas se estenda ao maior número dos ditos obreiros, que for possível"(…), para tal deveriam igualmente servir-se "dos alfaiates que forem mais vizinhos (das respectivas unidades) e hábeis."(…). Estas considerações levam-me a deduzir que, certamente, os uniformes seriam iguais no mesmo regimento e "semelhantes" de uma unidade para as outras, em virtude de que, haveria diferenças, possivelmente de pormenor, de artífice para artificie e de terra para terra onde os respectivos regimentos estavam instalados. Os alfaiates não eram militares, trabalhavam para os seus clientes civis (pobres ou abastados) e pontualmente teriam a "sorte" de confeccionar os fardamentos da unidade da sua terra, conselho ou distrito. Como seria absolutamente natural, embora seguissem os modelos dos livros iluminados (que iremos reproduzir algumas folhas) a influência civil estava muito presente nos fardamentos e conforme esta ia evoluindo, de ano para ano, os uniformes seguiam, de um modo ou de outro, essa "tendência".
No respeitante às coberturas de cabeça passou-se precisamente o mesmo; em 1764 o tricórnio era a cobertura de cabeça por excelência para civis e militares, acairelado, com puxadores, laço, presilha e botão; em 1770 o bico frontal começou a recolher um pouco, durante toda a década de 80 continua a encolher, de tal modo, que em 1790 o tricórnio já quase não se confeccionava, o "bico" anterior não passava praticamente uma pequena "ondulação", ( como exemplo, mais conhecido, podemo-nos reportar à célebre cobertura de cabeça de Napoleão, que curiosamente nunca a abandonou, desde os seus tempos de Alferes de artilharia, embora, esse chapéu, tenha sido um símbolo, estava totalmente "fora de moda" durante o auge da sua vida); em 1800 os bicórneos, ou chapéu de dois bicos, já se tinham imposto, vêem-se de tamanhos diversos, sendo alguns enormes e com as pontas exageradamente grandes, descaídas até aos ombros... É assim moda!
Os nossos uniformes, ou melhor dizendo, os seus utilizadores, principalmente os oficiais seguiram-na bem de perto! Isto já sem nos alongarmos nos chamados "uniformes de capricho" tão em moda, entre a nossa oficialidade da época e tão combatida pelos seus chefes (Lippe, mais tarde Beresford e outros).
Infelizmente, não chegaram até nós muitos livros iluminados ou gravuras da época, para se poder fazer uma análise pormenorizada das diferentes modificações, e os poucos livros existentes são datados de 1777, 1783 e 1791. Daí os tricórnios já não terem o bico tão saliente, como na década de 60 e as anteriores.
Os uniformes apresentados esquematicamente e feitos pelo autor, reportam-se a 1764, mas as alterações até 1806 são mínimas, podendo-se ter verificado mais significativamente nas coberturas de cabeça, como acima foi afirmado.


Tasca das amoreiras às 14:04
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