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Terça-feira, 11 de Agosto de 2015

Forte da Graça - 18

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Prisioneiros famosos no Forte da Graça

Manuel Inácio Pamplona Corte Real

A 3 de Julho passam 253 anos que, em 1760, nascia Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real, em Angra. Este foi uma figura de proa do Liberalismo em Portugal. Descendente dos Corte Reais, foi como seus antepassados, um combatente pelos ideais em que acreditava e defendia. Figura indelével da História do nosso país.

Manuel Pamplona Corte Real era filho de André Diogo Martins Pamplona Corte Real, o 8º morgado da Casa da Salga, e de sua mulher Josefa Jacinta Merens de Távora, da família Merens, responsável pelo governo da cidade de Angra desde o início da colonização dos Açores. Pamplona Corte Real estudou em Angra, partindo depois para a Universidade de Coimbra, onde obteve o bacharelato em Matemática. Iniciando, então, uma profícua carreira militar, como cadete no Regimento de Cavalaria de Santarém, mais tarde elevado, neste mesmo regimento, a oficial.

Pamplona Corte Real tinha um forte espírito de aventura, por isso, pediu licença para abandonar o exército português e tornou-se mercenário, partindo, em 1787, para a Europa de Leste, com Gomes Freire de Andrade. O primeiro teatro de combate foi na Guerra da Crimeia, como voluntário pela Rússia de Catarina II, a Grande contra o Império Otomano. Continuando, em 1790 e 1791, às ordens da Czarina, foi agraciado com a grã-cruz da Ordem de Alexandre Nevsky e feito cavaleiro da Ordem de São Vladimir. Em 1791, Pamplona Corte Real regressou a Portugal, onde permaneceu por pouco tempo. A Santa Aliança (Inglaterra, Rússia, Áustria e Prússia) iniciou uma guerra contra a França, onde entretanto rebentara uma Revolução e Pamplona Corte Real alistou-se pelos aliados, comandados à época pelo Duque de York. Em 1793, participou na tomada da cidade francesa de Valenciennes.

De regresso a Portugal, Pamplona Corte Real foi chamado para ajudante general da Divisão Auxiliar Portuguesa à Coroa de Espanha na Campanha do Rossilhão (1793-1795), em que Portugal participou ao lado do país e da Inglaterra contra a França. Portugal enviou 5 400 homens, que ficaram sob o comando do tenente-general britânico John Forbes. Pamplona Corte Real foi agraciado, pelo seu brilhante desempenho, com a Granada de Ouro, com a Ordem de Cristo, recebendo ainda a grã-cruz da Ordem Militar da Torre e Espada. Foi também nomeado tenente-coronel e 2º comandante da Legião de Tropas Ligeiras.

Em 1801, Pamplona Corte Real tornou-se coronel do Regimento de Cavalaria n.º 9 e assistiu, em finais de 1807, à desmobilização do exército nacional, em virtude da I Invasão Francesa. Foi integrado na Legião Portuguesa, sob as ordens do exército francês, partindo, de imediato, para Salamanca. Deixou-nos o seu diário, infelizmente grande parte se perdeu, com as suas aventuras e desventuras ao serviço da França napoleónica.

A 1 de Agosto de 1808, Pamplona Corte Real foi nomeado Comandante dos Caçadores a Cavalo da Legião Portuguesa e a 22 de Abril de 1810 ficou encarregado de comandar uma brigada portuguesa. Tornou-se, também, Governador militar de Coimbra. Foi ainda nomeado Comandante do 2º Regimento Português da 6ª Divisão do 2º Corpo do exército francês na Rússia, tornando-se membro da Legião de Honra. Depois da queda de Napoleão continuou em França e serviu o novo Rei (Luís XVIII), que o fez barão e foi promovido a tenente-general honorário a 24 de abril de 1822. Pamplona Corte Real entrou, deste modo, em contacto com os ideais da Revolução Francesa e tornou-se, assim, maçon.

De regresso a Portugal, onde se tornou um liberal da ala mais conservadora do vintismo, foi amnistiado pelas Cortes, iniciando a sua vida política. Foi Ministro da Guerra, depois tornou-se deputado pelo círculo eleitoral dos Açores, eleito pela Terceira, defendendo a unidade açoriana. Aproximou-se de D. João VI, regressado do Brasil, e esteve ao seu lado durante o golpe da Vilafrancada, defendendo a integridade do Rei, entrou, então, em confronto com D. Miguel. Foi, assim, feito 1º Conde de Subserra e gentil-homem da câmara de D. João VI e seu conselheiro de Estado. Nomeado, entretanto, para a pasta da Marinha e depois para Ministro assistente ao despacho. Pamplona Corte Real foi nomeado embaixador de Portugal em Espanha, entre 1825 e Abril de 1827, altura em que regressou definitivamente ao país. Contudo, em 1828, com o retorno de D. Miguel e a instauração de uma Monarquia Absolutista, Pamplona Corte Real foi preso por ordem direta do novo Rei, que se recordava da derrota na Vila-Francada. Foi guardado em isolamento na Torre de Belém, depois em São Julião da Barra, São Lourenço do Bugio e, por fim, no Forte da Graça de Elvas, onde morreu a 16 de Outubro de 1832, poucos meses depois do desembarque dos Bravos do Mindelo, que partiram da sua terra natal rumo ao Continente, em defesa do Liberalismo.

Pamplona Corte Real foi um liberal, combatente pelos seus ideais e como poucos deixou a sua marca junto dos inimigos. Após o fim da Guerra Civil (1832-1834), onde a sua fação venceu, os seus restos mortais foram trasladados para a Ermida de Santa Catarina, na freguesia dos Biscoitos, na Ilha Terceira.

Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real é um exemplo para todos os portugueses, pois foi alguém que defendeu ferozmente aquilo em que acreditava e não se deixou abater pelas conjunturas, mesmo quando se viu preso pelos inimigos, não renunciou aos seus princípios. Exemplos desses devem ser divulgados, meus compatriotas, não podemos, nem devemos, deixar-nos enfraquecer pelos nossos rivais, mas “empenhar” a nossa espada e ir para a Guerra…não conseguimos ganhar todas as batalhas, mas com força, garra e princípios, venceremos as nossas guerras.


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