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Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

De volta ao Forte da Graça

Costuma-se dizer em bom português que, “empata” é aquele que nem monta nem deixa montar e que segundo parece, é o que é o Ministério da Defesa.

Como penso que muitos saberão, há uns anos aqui atrás, foi feito um protocolo para a recuperação do Forte da Graça. Se bem me lembro e corrijam-me se estiver enganado, as entidades envolvidas eram o Ministério da Defesa (dono do prédio militar), o Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Elvas e penso que mais outra entidade qualquer que não recordo.

Segundo julgo saber, a obra estaria projectada por fases, cabendo a primeira à CME e que dizia respeito ao restauro das coberturas. Segundo julgo também saber, a CME cumpriu a sua parte. O problema surgiu quando teve que arrancar a segunda fase e que pertencia ao MD. Aí, paradoxalmente tudo se complicou porque quem tinha o processo entre mãos não deu andamento a ele, e digo paradoxalmente, porque o dito senhor, não sendo de Elvas, toda a sua família aqui pertence. Nunca consegui entender o porquê da “birra”. O que é certo é que o barco encalhou nas mãos desse “senhor militar”.

O Ministério da Defesa por duas vezes tentou vender o forte como se de uma habitação se tratasse, pouco se importando que a “casinha” fosse um Monumento Nacional de grande importância. Sobre potenciais interessados, muitos boatos correram em Elvas. Houve que o quisesse transformar em Casino, em Hotel, em Museu, etc, etc. Penso que na verdade não passaram mesmo de boatos.

Até que chegámos aos dias de hoje e a situação mantém-se: o forte ao abandono e o proprietário a comportar-se como muitos senhorios que há por aí sem dinheiro para fazer as obras. Na época atrás descrita, o restauro do forte andaria pala casa dos 5 milhões de contos (qualquer coisa como 25 milhões de euros). Claro que hoje os preços não serão estes.

O Ministério da Defesa está teso que nem um carapau. Por vezes nem dinheiro tem para os combustíveis quanto mais ir empatar verbas tão grandes em algo que não lhes serve para nada. Sendo que isto é a realidade, não resta mais nenhuma alternativa senão forçar o MD a entregar o forte à Câmara Municipal.

Haverá neste momento algumas pessoas a pensar que seria um disparate gastar verbas tão elevadas no restauro do velho forte. Se é certo que a Câmara Municipal teria que desembolsar uma parte do capital, há programas comunitários que pagariam a maior fatia. Julgo que esta será a solução que a câmara tem pensada.

Mudemos por instantes o rumo da conversa.

Está visto e mais que visto que a solução para o desenvolvimento de Elvas passa inexoravelmente pelo Turismo. É a única jóia que nós temos na nossa terra e que é vendável: o nosso Património. Não me venham com ideias de fábricas de cervejas, call-centers ou outra coisa qualquer. Poderia ser uma solução para o curto prazo, mas nunca traria o desenvolvimento sustentado pretendido, já que a mão-de-obra necessária para tais empreendimentos seria quase toda desqualificada.

Voltemos então novamente ao forte.

Não será esta “peça” a mais valiosa ou das mais valiosas que temos? Não será esta “peça” a que atrairia mais turistas culturais (que são os que têm dinheiro e tempo)? Então a recuperação do forte como é que seria contabilizada: como despesa ou como investimento? Penso que todos estaremos de acordo quanto a isto.

Como o povo diz, “Avancemos por Talavera sem medos”!

 

Jacinto César

 

 

PS – Isto já vai grande hoje, mas não resisto à tentação em mais uma vez manifestar a minha vergonha com algumas coisas que acontecem em Portugal.

Um idoso de 78 anos de idade, deixou caducar a carta de condução. Foi apanhado a conduzir. Entretanto devido à sua doença foi internado num lar de terceira idade. O nosso grande criminoso vai a julgamento e é condenado a pagar 400 Euros de multa. A reforma do bandido não deu para pagar a multa. Assim sendo, o Juiz tomou a atitude corajosa que se pedia numa circunstância desta gravidade e como tal mandou prender o malandro. Está neste momento a cumprir a pena de 3 meses de prisão.

Desculpem, mas tenho que ir a correr a vomitar … ….         

     


Tasca das amoreiras às 00:00
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Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Forte de Nossa Senhora da Graça

 

De tempos a tempos o Forte da Graça é tema geral de conversa. Ou porque as conversas de café chegam aos blogs ou os blogs chegam às mesas de tertúlia dos cafés.

Efectivamente, há uns dias atrás e no café que frequento, gerou-se uma conversa acesa mas civilizada sobre o dito forte.

Bem, as opiniões foram muitas, a discussão foi acalorada e as conclusões nenhumas. Caso para dizer que cada um “ficou-se” com a sua.

Eu entendo perfeitamente que cada um discuta o problema segundo a sua perspectiva e principalmente segundo o ponto de vista da sua formação e/ou profissão.

Alguns mais virados para o mundo da economia defendem que o forte deve ser reconstruído e rentabilizado de qualquer maneira. Houve logo quem discordasse argumentando que não há negócio algum que consiga suportar a reconstrução e principalmente a sua manutenção. Eu até concordei com este ponto de vista, já que não estou a ver que ali se possa instalar por exemplo um hotel. Se é verdade que a área coberta é enorme, não é menos verdade que a grande maioria desta são espaços interiores sem luz natural nem ventilação. Ou seja, um quarto do hotel ali instalado não passaria de um camarote do último “desk” de um navio de cruzeiro barato. Portanto esta hipótese estará completamente fora de causa. Os “ses” foram muitos mas a maioria acha impossível que algum privado queira ficar com o “bebé nos braços”. Houve até que relembrasse o bar que existiu no Forte de Santa Luzia e que ao final de pouco tempo teve que fechar.

A grande maioria era favorável à instalação de um museu. Bem, teria que ser um super museu dada a sua área disponível. Houve até que tivesse afirmado que o Comendador Joe Berardo teve em negociações para ali colocar a colecção que actualmente está patente no CCB. Mais, houve até alguém que jurou a pés juntos que o Comendador até já tinha feito uma negociata qualquer com uns terrenos ali próximos. Eu como sou um bocado avesso a boatos, custou-me muito a acreditar nesta versão. Não estou a ver o barão negro a abandonar Lisboa para aqui se vir instalar. Depois e para mim, não estava a ver muito bem como é que a colecção de arte moderna e contemporânea se coadunavam com os espaços. Mais uma ideia.

A minha ideia foi a mais polémica, mas que defendo com unhas e dentes.

Há um bom par de anos que ando a pensar no assunto. Conheço o forte como à palma das minhas mãos dadas as inúmeras visitas que lá fiz. Já dei cabo da paciência de tanto pensar no assunto e chego sempre à mesma conclusão: não fazer nada! Pura e simplesmente nada.

A solução seria “obrigar” o Ministério da Defesa a passar o forte para as mãos da câmara, esta reconstruiria o forte segundo a traça original, colocava lá uns guardas em permanência e deixava que os visitantes fruíssem os espaços tal como sempre foram. Esta é a minha opinião e que posso fundamentar.

Como cada elvense tem a sua opinião, e ninguém quer abrir mão dela, então façamos como os ingleses: o forte nasceu, cresceu e morreu como qualquer coisa. Que caia!

 

Jacinto César        


Tasca das amoreiras às 00:00
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

O silêncio

Muito pior que uma grande algazarra, é o ruído infernal do SILÊNCIO. E este silêncio incomoda-me cada vez mais. Parece que este país já não tem homens de barba dura e voz grossa. E isso incomoda-me muito.

Lembro-me de ter lido (já que não me encontrava em Portugal) da célebre manifestação em 28 de Setembro de 1974 da chamada “Maioria Silenciosa”.

Por essa época havia um HOMEM com voz de “colhão” (perdoem-me a expressão) que se chamava GENERAL ANTÓNIO DE SPÍNOLA. Teve que fugir porque quem calava, calado continuava.

E hoje? Onde é que temos esse homem que sirva de bandeira aos descontentes, aos desprotegidos, aos idosos, às crianças e aos injustiçados? Não consigo vislumbrar tal pessoa. A partir do momento em que o poeta traidor mais uma vez se quer candidatar a Presidente da República e a Comandante Supremo das Forças Armadas, penso que já não temos esperança. É a humilhação e a vergonha.

Eu já tanto se me dá que seja de esquerda ou direita, mas tem que aparecer o mais rapidamente alguém que ponha ordem neste nosso pobre Portugal.

 

Excelentíssimo Senhor Presidente da República Portuguesa, Professor Aníbal Cavaco Silva

 

Excelência

 

Se o senhor não consegue meter na ordem toda esta gente e restituir alguma credibilidade e dignidade ao nosso país, só lhe resta fazer uma coisa: para bem de todos DEMITA-SE!

Se não se sente com forças ou coragem para acabar de uma vez por todas com a República das bananas em que Portugal se transformou, DEMITA-SE!

Se não consegue acabar com a impunidade dos poderosos e a corrupção galopante que grassa no nosso país, DEMITA-SE!  

Para fazer o papel de avestruz não necessitamos do Senhor. Como tal DEMITA-SE!

 

De um PORTUGUES desiludido e envergonhado,

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 00:00
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Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Fascista

Ontem houve alguém que nos comentários teve a “coragem” de me chamar fascista. Para dizer a verdade já nem eu sei bem se o sou ou não. Mas antes de continuarmos a falar sobre o assunto, gostaria que lessem a seguinte notícia do Diário Económico de hoje.

 

“Portugal vai doar 800 milhões a Angola

O ministro das Finanças angolano avançou hoje que Portugal vai doar 800 milhões de euros a Angola e que o país africano vai usar 500 milhões para pagar dívidas às construtoras portuguesas.”

 

E já agora mais esta.

 

“Inês de Medeiros continua a receber o subsídio de transportes Paris - Lisboa – Paris, depois do pagamento ter sido deferido pela Assembleia da República. A referida deputada afirmou que isto se deve ao facto de querer ter sido deputada europeia e não deputada ao parlamento nacional”

 

Depois de ouvir notícias destas e ficar chocado com elas é ser fascista, então sou FASCISTA.

 

Voltando à 1ª notícia, porque é que foi feita esta doação? Porque Angola devia 500 milhões a empresas de construção civil portuguesas e assim já vai poder honrar os seus compromissos. Ou seja, Portugal pagou as obras que foram feitas em Angola. E quais são essas empresas? Teixeira Duarte, Mota e Engil, etc. E quem são os quadros superiores destas empresas? Os boys do Partido Socialista.

Quando Portugal atravessa a crise que está a atravessar e o seu governo se comporta desta maneira o que é que eu tenho que pensar? Que sou um miserável FASCISTA!

 

Quando João Rendeiro ganhou 3 milhões no ano em que BPP faliu e que me deixa com vontade de vomitar, o que é que eu posso pensar? Que sou de certeza um FASCISTA!

 

Infelizmente os meus leitores são muito democratas e concordam com tudo isto. Eu não concordo e como tal SOU FASCISTA!

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 00:00
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Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

25 de Abril – A grande desilusão

                     Foi pelo estado a que chegamos que morreram 8000 jovens?

 

Finalmente passou o dia que me deixa sempre deprimido. Finalmente estamos já a 26.

Já não consigo ter paciência para ouvir as renovadas promessas de um país novo, de um país melhor. Esta cantilena já tem barbas e cheira a mofo.

Por vezes já tenho dado por mim a pensar se os comunistas não têm razão no que dizem. Bem, lá falar bem, falam eles, o problema era se se apanhassem no poder e depois nunca mais de lá saem. Mas lá que têm razão, lá isso têm.

Contrariando a maioria das pessoas que na juventude apoiaram partidos da extrema-esquerda e depois foram evoluindo para a direita, eu sinto-me cada vez mais de esquerda. Só que nenhuma esquerda me satisfaz. O meu problema é que da extrema-esquerda para a extrema-direita vai um passo e eu estou em vias de o dar.

Não quero de modo algum voltar ao Deus, Pátria e Família ou ao Fado, Futebol e Fátima, mas que tudo isto precisa de levar uma volta para entrar nos eixos, lá isso precisa. E quem o pode fazer? O povo? Tenho as minhas dúvidas. Está de tal maneira amestrado e mecanizado, que quando vai às urnas põe a cruz sempre no mesmo lugar. Estarei a insinuar que o povo é burro? Não, está é acomodado. Para que partir para uma nova aventura se o que temos nos vai dando uns tostões? Para quê recomeçar tudo de novo se os que vierem são iguais? Para quê eleger alguém diferente se nos irá governar? Se assim fosse, cada vez que caímos não nos levantávamos! Para quê almoçar se daqui a umas horas vamos jantar? Para quê levantar-me da cama se daqui a umas horas volto-me a deitar?

As pessoas não jogam no Euromilhões, que mesmo sabendo que vão perder, têm sempre uma réstia de esperança que nos toque alguma coisa?

As pessoas casadas não se divorciam quando as coisas correm mal e partem para uma nova?

As pessoas quando estão doentes não se tratam, mesmo sabendo que mais ano menos ano vão morrer?

Não se costuma dizer que a esperança é a última coisa a morrer?

Então estamos à espera de quê para mudar? Que é que é necessário acontecer mais para darmos um murro na mesa? Não basta já sermos humilhados todos os dias? Não nos basta já os roubos a que somos sujeitos a todas as horas? Não basta já … …

 

Jacinto César


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Domingo, 25 de Abril de 2010

25 de Abril, 36 anos depois

25 de Abril, 36 anos depois

 

Faz hoje 36 anos, estava eu, quase há dois anos em Moçambique. Por essa época, toda a gente falava de política sem limitações, chegando mesmo a ter como participante nas conversas agentes da PIDE. De tudo se falava, mas da revolução que estava para chegar, todos eram ignorantes. Não nos passava pela cabeça o que se estava a preparar por cá. Para se ter a noção de como as notícias lá chegavam, só no dia 26 é que se começou a falar “em qualquer coisa” que tinha acontecido na Metrópole. Só passados uns tempos é que tivemos consciência do que de verdade se tinha passado. Bem, na verdade só quando regressei em finais de Outubro é que tive a noção certa do que tinha acontecido. Bastou para tal desembarcar no aeroporto do Figo Maduro e sentir a recepção que tivemos por parte dos célebres SUV (para os mais novos “Soldados Unidos Vencerão”) que fizeram o favor de nos terem ido a receber com insultos e coisas tais, para saber a confusão em que o país estava metido. Tínhamos o país virado de pernas para o ar, isto, segundo o meu ponto de vista, claro. E assim ficou durante uns anos.

Se houve coisas com as quais concordei, outras houve com as quais nunca aceitei. Mas passemos à frente.

Os anos que se seguiram, foram anos de esperança. Eu já nem falo na Liberdade que dum momento para o outro adquirimos e que viemos a utilizar muito mal. Mas no que eu mais tinha esperança era na Justiça Social de que tanto se falava. Contrariamente ao que os “vermelhos” propagavam, não queria de modo algum acabar com os ricos, mas sim com os pobres e vendo bem as coisas, passados 36 anos quase que estamos na mesma. Se é verdade que todos vivemos melhor do que vivíamos, as disparidades mantiveram-se. Não, pioraram! Nunca houve um fosso tão grande entre os privilegiados e os mais desfavorecidos. Se é verdade que antes tínhamos uns quantos Almirantes Henrique Terreiro, hoje cresceram que nem cogumelos. A corrupção está em todos os sectores da sociedade. Os compadrios e as cunhas que as havia dantes, jamais deixaram de existir. Antes, quem queria subir na vida tinha que se filiar na União Nacional ou pertencer à Legião Portuguesa. Hoje tal como dantes, temos que vender a alma ao diabo e dar o nome a um dos partidos que estão sempre no poder. E que dizer dos célebres tribunais plenários do antigamente? As injustiças eram mais que muitas! E hoje? Os atropelos são constantes e vendo bem a coisa, não passa de uma miragem. Justiça? Mas onde para ela?

Poderia continuar aqui a chorar mais, mas já não tenho lágrimas. Estou farto!

 

Jacinto César 


Tasca das amoreiras às 00:36
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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Afinal quem são os fascistas???

Finalmente parece que resolvi o problema. Hoje gostaria de levar ao conhecimento de todos, uma carta que recebi e que traduz a infeliz realidade do nosso país escrita por Vasco Garcia e que é Prof. Catedrático.

Há uns dias atrás houve alguém que disse que estava a fazer a apologia de António Oliveira Salazar. Longe de mim fazer tal coisa. Mas uma coisa posso dizer em abono do velho ditador: nasceu pobre e morreu pobre, era honesto e não permitia que acontecesse o que hoje acontece. Eu não quero uma ditadura, mas uma democracia em que os principais valores sejam tidos em conta. A carta diz tudo! Por favor leiam.


“Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.

Corria o ano de 1960 quando foi publicada no “Diário do Governo” de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da
República, e do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar.
Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro “Salazar e os milionários”, publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou “que explorassem actividades em regime de exclusivo”. Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes. E que dizia, em resumo, a Lei 2105? Dizia que ninguém que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários andaram logo a espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido devido à redacção do diploma, que permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, “receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores
da empresa for atribuída participação nos lucros”. A publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no Estado Novo de Salazar, vai dentro de 2 meses fazer 50 anos. Catorze anos depois desta lei “fascista”, em 13 de Setembro de 1974 (e seguindo sempre o que nos explica o livro de Pedro Castro), o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105 e, através do Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o 446/74, passaram simplesmente os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do que ganhava um Ministro para uma vez e meia do que ganhava um Secretário de Estado. O Decreto- Lei justificava a correcção pelo facto da redacção pouco precisa da 2105 permitir “interpretações abusivas” permitindo “elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma”. Ao lermos esta legislação hoje, dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do “fascismo” (Lei 2105) ou do “comunismo” (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores
do Estado dos nossos dias. Não admira, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos. Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a monstruosidade de 420000 euros por mês, um ”pouco” mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365000 mensais. Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa. Assim – e seguindo sempre a linha do que foi publicado – conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100000 euros por mês, dos quais 10 vencem mais de 200000. O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250000 euros/mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu. Não averiguei quanto irá vencer pela Europa, mas quase aposto que não será tanto como ganhava aqui na santa terra lusitana.
Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens…) da lista dourada que o “Sol” deu à luz há pouco tempo. Curioso é também comparar estes valores salariais com os que vemos pagar a personalidades mundiais como o Presidente e o Vice-Presidente dos EUA, os Presidentes da França, da Rússia, e…de Portugal. Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês. Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar: basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar.
Que tristeza!”

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 17:06
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Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Uma pausa para manutenção

Caros amigos

 

Há dois dias atrás a minha máquina resolveu entregar a alma ao criador.

Como todos nós temos um pouco de Frei Tomás, “faz o que eu digo e não o que faço”, cheguei á conclusão que não tinha a segurança feita de muitas coisas. Resumindo, apanhou-me de calças na mão.

Penso que ainda hoje conseguirei resolver o problema e voltar ao convívio diário de todos os amigos que fazem o favor de me aturar.

Podê-lo-ia fazer através dos computadores da escola, mas se algum “amigo de Peniche” soubesse que os estava a usar para outro efeito, lá caía o Carmo e a Trindade.

Estarei de volta assim que me for possível.

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 00:03
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Terça-feira, 20 de Abril de 2010

Um post só para Benfiquistas

Os meus leitores habituais que me desculpem, mas hoje o texto destina-se unicamente aos adeptos benfiquistas.

 

Proposta

 

1 – Partindo do princípio que iremos ser campeões;

2 – Partindo do princípio que seremos campeões injustamente;

3 – Partindo do princípios que os jogos que ganhámos foram ganhos nos túneis;

4 – Partindo do princípio que o papa PC já confirmou o ponto 3;

 

Propõem-se:

1 – Que sejamos “moderados” nos festejos;

2 – Que os festejos sejam levados a efeito, não onde é habitual fazerem-se (na Rotunda do Tribunal), mas num TÚNEL.

3 – Que o TÚNEL seja o do Hotel S. João de Deus.

 

Caros companheiros, se estiverem de acordo manifestem-se e organizaremos uma grande festa dentro do TÚNEL.

 

Jacinto César  


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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Onde é que já li isto?

Li uma parte do 1º capítulo de um livro, que com a devida vénia aqui reproduzo.

 

“O irregular e promíscuo funcionamento dos poderes públicos é a causa primeira de todas as outras desordens que assolam o país.

Independentemente do valor dos homens e das suas intenções, os partidos, as facções e os grupos políticos supõem ser, por direito, os representantes da democracia. Exercendo de facto a soberania nacional, simultaneamente conspiram e criam entre si estranhas alianças de que apenas os beneficiários são os seus militantes mais activos.

A Presidência da Republica não tem força nem estabilidade.

O Parlamento oferece constantemente o espectáculo do desacordo, do tumulto, da incapacidade legislativa ou do obstrucionismo, escandalizando o país com o seu procedimento e, a inferior qualidade do seu trabalho.

Aos Ministérios falta coesão, autoridade e uma linha de rumo, não podendo assim governar, mesmo que alguns mais bem intencionados o pretendam fazer.

A Administração pública, incluindo as autarquias, em vez de representar a unidade, a acção progressiva do estado e a vontade popular é um símbolo vivo da falta de colaboração geral, da irregularidade, da desorganização e do despesismo que gera, até nos melhores espíritos o cepticismo, a indiferença e o pessimismo.

Directamente ligada a esta desordem instalada, a desordem financeira e económica agrava a desordem Política, num ciclo vicioso de males nacionais. Ambas as situações somadas conduziram fatalmente à corrupção generalizada que se instalou…”

 

Depois de terem lido, esta situação não vos diz nada? A mim diz-me e muito!

Sabem que foi o autor do livro?

António de Oliveira Salazar em “Como se levanta um estado?” – 1936

E há quem diga que a história não se repete!

 

Jacinto César


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